Tudo é político. O julgamento também será

  • Redação Clubei

Tudo é político. O julgamento também será

PMDB era a “turma do processo, o PP das obras”. Esse era o discurso favorito do Partido Progressista durante os oito anos da administração do ex-prefeito Aderbal Manoel dos Santos. Derrotado nas urnas, e não digerindo o voto da maioria dos batistenses, o PP se transformou no que condenava. Era lobo em pele de cordeiro, ou cordeiro vestindo a fantasia de lobo.

Patifada politiqueira, rancor que pode lançar o município no atraso. Não bastasse o processo de cassação que está em Brasília, Daniel Cândido (PSD), será submetido a julgamento político na Câmara de Vereadores e que poderá ter resultado imprevisível. Se o objetivo principal é inviabilizar o Governo, impedir a gestão e usar qualquer artimanha rasteira para derrubar o Prefeito, parece que está funcionando.

Os discursos do prefeito municipal de que estaria sofrendo perseguição, começam a fazer sentido. Até então havia dúvidas se a tentativa de golpe no município era real. Com aprovação do afastamento pelo Legislativo, acaba se confirmando. A turma das obras virou do processo, e assim a caravana vai passando. Há um evidente uso do poder econômico e controle total das ações de bancada, que evidenciam tramas de ódio.

Pode ser tiro no pé do projeto político do PP, tão equivocado quanto às estratégias da campanha em 2012, e que permitiram que a coligação liderada pelo PMDB vencesse nas urnas. Sem permitir que Daniel respire, ele vai se transformando em vítima. Como numa boa novela, o sofrimento do mocinho é que cativa às pessoas.

Na cassação de Daniel pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE/SC), o PP utilizou os serviços de ao menos seis advogados. A inovação foi além do razoável, e pediram que o prefeito batistense, pagasse por crimes que teriam sido cometidos por Alemão, Vera Lúcia Peixer de Amorim e Joel Ricardo. Decisão final deve sair de Brasília, e um escritório da capital federal já teria sido contratado pelo pepistas. Boatos espalhados na cidade garantem que foram pagos R$ 100 mil, e outros R$ 200 mil seriam entregues assim que Daniel deixasse o cargo.

O momento para o pedido de afastamento de Daniel também não foi inteligente e mostra falta de planejamento do bloco oposicionista. Na quinta e sexta-feira houve entrega de pavimentações no Carmelo e Krequer, na terça-feira o Núcleo Infantil do Timbezinho foi inaugurado. Aberta licitação para contorno asfáltico que vai melhorar a circulação de veículos no centro e outras obras que estão próximas do início.

Se fiscalização é função natural do Poder Legislativo, em São João Batista este obstáculo tem sido ultrapassado. Vereadores se transformaram em ferramenta de vingança pessoal e perpetração da política provinciana de atravancar, atrasar ou inibir a gestão do desafeto. Ou a decisão de afastar prefeito antes da investigação e comprovação de culpa se explica de que forma?

A turma das obras está preferindo os processos e podem levar a cidade ao caos político. Falta representação da sociedade no legislativo, quando bancada inteira se propõe ao único e vil objetivo de colocar em prática as artimanhas de um partido. É tentativa de golpe, desrespeito a decisão das urnas e vai contra o espírito republicano.

Político jovem, Daniel tem se mostrando hábil em contornar os tiros disparados pelos opositores. Na esteira dos processos continua projetando, fazendo reuniões, gerenciando crises internas e, agora, inaugurando obras. Sem uma montanha de dinheiro para bancar advogados e convivendo com a fúria oposicionista tem conseguido fazer muito. Não fosse todo o tempo perdido com cassação, o avanço seria maior.

Se existem problemas no Governo Municipal, a solução deve estar nas urnas. Enquanto não chega 2016, o ideal seria estabelecer um projeto de ações para apresentar a população. Com as obras de Daniel começando a aparecer e projetos saindo do papel, a avidez por derrubá-lo deve crescer. O PP prova que mudou o discurso, gosta dos processos, e quer tomar o poder de assalto. Do que acusam Daniel? A resposta pode revelar o que tem por trás do processo de investigação da Câmara e afastamento do cargo. Desenrola-se uma tentativa de golpe.

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