A arma está apontada para nossas cabeças

  • Redação Clubei

A arma está apontada para nossas cabeças

Invadiram igreja, o Posto de Saúde. Entraram em residência com toda família dentro. Está cada vez mais fácil a vida dos bandidos. A nossa é que está fincando difícil. Os registros de furtos, assaltos e violência urbana de toda ordem vem se tornando rotina em São João Batista. Ser a próxima vítima pode ser questão de tempo e qualquer um está sob mira.

Por quanto tempo vamos conviver com a omissão de nossos políticos? Com a parafernália discursiva, com as desculpas esfarrapadas. Até quando seremos vítimas e teremos que ficar nos escondendo, erguendo os muros ou eletrizando as cercas? Estamos no limite da tolerância e ninguém faz nada. Estamos cansados do papo sem-vergonha de nossos gestores, que costumam jogar nas costas de terceiros suas responsabilidades. Não temos o mínimo de segurança. Beiramos ao caos social e não há quem nos socorra.

arma-assaltoDe quem é a responsabilidade? A desculpa mais ouvida é que o problema é do Estado. Pode ter certa verdade nessa cantilena; mas, ao mesmo tempo; não podem os políticos que passaram em nossas casas no período eleitoral, honrar suas calças, arregaçar as mangas e ir à luta? As armas estão apontadas para nossas cabeças, estamos reféns dentro de casa e entregues à sorte.

Comum nas campanhas os políticos utilizarem infindáveis recursos financeiros; proveniente não se sabe de onde; porque, é claro, há um grande projeto de governo para melhorar as cidades e a vida da população. Tanta solidariedade dos políticos com os eleitores comove até o mais frio do cidadão. Afinal, só uma pessoa de bom coração decide viver no sacrifício de um cargo público, com excelente salário e assessores à disposição, exclusivamente para atender aos anseios populares.

Segurança pública é um dos temas mais questionados em qualquer eleição, apontada como grande preocupação da população. No entanto, o problema da criminalidade não se esgota nos chamados crimes violentos. Há, também, os crimes cometidos sem violência física, como o peculato, as fraudes à licitação, o uso irregular de verbas públicas, as falsidades e outros que atingem todas as pessoas, indistintamente.

Eis o dilema: existe solução, mas ninguém está disposto a buscá-la. Crime deve ser combatido com prevenção, muito mais do que com repressão. Por aqui é o contrário: prioriza-se a repressão; muito mal, por sinal; e pouco se fala em prevenção.

Engana-se quem pensa que o problema da criminalidade restringe-se à polícia. Nossos prefeitos jogam a culpa pela falta de segurança no governo estadual, sob a alegação de que as polícias não são responsabilidade do município. Essa é a maior demonstração da falta de conhecimento de gestão pública. Segurança é problema do município, sim. A Polícia Militar e a Civil são da responsabilidade do Estado, mas a segurança pública, diz respeito a todas esferas da Administração Pública.

Podem as prefeituras atuar no sentido de instituir instâncias que viabilizem o desenvolvimento de ações integradas de prevenção e repressão ao crime. A criação de um Gabinete de Gestão Integrada, unindo as polícias, judiciário, Ministério Público e sociedade podem, em conjunto trazer resultados práticos. Seja discutindo a dinâmica da criminalidade, distribuir a responsabilidade de cada uma das organizações, elaborando planos de ação que ao racionalizar os esforços, maximizam os resultados.

Passou da hora de pararem do joguinho de empurra, irem à luta, buscar soluções para a insegurança no município. Está faltando de fato, boa vontade, empenho e respeito com a população. A arma apontada para a cabeça do cidadão é responsabilidade do Estado, mas também é de nossos gestores municipais que não fazem nada, e acabam sendo cúmplices da criminalidade.

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